Cálculos

O salário mínimo, no Brasil, é de 1.621 reais – e, no que diz respeito às pessoas com menos condições financeiras, não são poucas as famílias que vivem com essa renda, isso quando a renda alcança esse valor. Falar do poder de compra do salário mínimo, portanto, é algo extremamente significativo para quem vive sob maior carência material.

De outro lado, o valor atual de uma cesta básica na cidade de São Paulo, conforme cálculo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) é de 854,37 reais¹. Cesta básica, aqui, constitui-se de 13 itens (arroz, feijão, carne, farinha, açúcar, óleo, café, pão, manteiga, leite, batata, tomate e banana) – menos, por sinal, do que o Coletivo disponibiliza às famílias que apoia².

O que se vê, assim, é que, hoje, o salário mínimo compra 1,9 cesta básica. Sem se debruçar sobre o número de integrantes de cada família (incluindo-se crianças), não é difícil concluir que, para uma mãe solo pertencente às parcelas menos abastadas da população, a maior parte do dinheiro obtido vai exclusivamente para a alimentação. A importância do Coletivo para a vida dessas mulheres e crianças não é algo a ser desprezado.

A situação, contudo, já foi mais difícil – no período da pandemia, quando o Coletivo surgiu, o salário mínimo comprava 1,5 cesta básica, e em 2.024, ano de vigorosa atuação do Coletivo, a inflação anual de alimentos foi de 8,23% (bem maior do que qualquer índice oficial). São cálculos que, quando se vive de acordo com cada real obtido, fazem a diferença entre a certeza e a incerteza para o dia seguinte.

Mas certeza, mesmo, é que apoiar faz a diferença que, no coração de cada um, não se mede em cálculos.

Thaís Cassapian

¹Folha de S. Paulo, edição de 03.03.26, matéria intitulada “Poder de compra de alimentos cresce, mas não retoma nível pré-pandemia”.