Mundos

Há um mundo pavoroso, em que todos os dias as piores torturas físicas imagináveis são praticadas contra crianças, não raro dentro de casa – e também não raro, divulgadas em redes sociais¹.

Ainda no mundo da patologia das redes, não falta quem submeta os filhos à rotina de tudo registrar, porque esse é um mundo em que ser visto, não importa por quem e por quê, pode ser sinônimo de dinheiro. O abalo emocional e o consentimento da criança ficam para depois², em outro mundo.

De um lado bem mais concreto desse mesmo mundo, mães que criam os filhos sozinhas ensinam a criança de 6 anos a preparar o almoço para a de 4 – porque precisam do trabalho que paga cada vez menos³.

Lidar com esses mundos demanda formação educacional – a melhor forma de proteção não só contra os males que nos cercam, mas contra as nossas próprias dificuldades.

Mas, para tal, é preciso que haja frequência à escola – e assusta saber que ainda estamos em um mundo no qual jovens deixam o ensino porque, não tendo aprendido o que deveriam quando crianças (e não tendo feito parte de um programa que atentasse para elas), passaram a ver a escola como um lugar de vergonha, constrangimento e rejeição⁴.

Esse é o mundo que nosso Coletivo, com seu programa de contraturno, pretende construir: o mundo da inclusão e do respeito.

1. Folha de S. Paulo, edição de 08.05.26, editorial intitulado “Combater o estupro de vulnerável”.

2. Folha de S. Paulo, edição de 09.05.26, “Livro expõe lado sombrio e indústria bilionária por trás da exposição de crianças na internet”.

3. Folha de S. Paulo, edição de 12.05.26, artigo de Vera Iaconelli intitulado “Cadê a minha mãe?”.

4. Valor Econômico, edição de 22.06.26, “”Apesar dos avanços, manter jovens na escola ainda é desafio”