Há, da parte de alguns, uma certa insistência em trazer ao debate a necessidade de integração, no ambiente escolar, entre as práticas pedagógicas e o apoio à saúde mental. Estamos nós, do Coletivo, entre os que insistem no olhar atento sobre essa questão. E não é para menos.
Vivemos em um um mundo em que 1 a cada 5 adolescentes entre os 13 e os 17 anos de idade tem certeza de que a vida não vale a pena – às vezes, na maior parte do tempo; às vezes, no tempo inteiro. Quase um terço dessa mesma geração afirma ter sofrido bullying – e o sofrimento mental parece ser nossa fome do dia¹.
É uma fome que só piora: 70% desses mesmos jovens relatam sentir tristeza após consumir conteúdos em redes sociais – muito embora, no Brasil, entre jovens, adultos e idosos, o consumo atual, na média, seja de quase 8 horas diárias1. Essa, destaque-se, é a média – não se trata, aqui, apenas dos mais jovens ou daqueles inseridos em famílias mais vulneráveis (e, portanto, mais expostos a um mundo especialista em confundir fantasia com realidade).
Insistimos no esforço para melhor acolher, nos limites de nossas forças, quem passa (ou está sujeito a passar) por esses problemas – e sabemos que nossa insistência em falar sobre isso, por vezes, pode incomodar, tal como o som monocórdico de uma cantoria sem graça. Mas é que precisamos estar à altura dos desafios emocionais que insistem em insistir.
Thaís Cassapian