Sue Roffey, renomada educadora e psicóloga escolar britânica, além de autora de mais de 20 livros, é conhecida por trazer à discussão a importância da saúde mental para fins do aprendizado¹.
Rodas de conversa, ambiente em que os alunos se sintam apoiados, confiança da equipe escolar e projetos baseados em relações saudáveis, combante ao bullyint, eis apenas alguns dos princípios que nortearam seus trabalhos – ao que sabe, desenvolvidos na Inglaterra e na Austrália.
Parece não haver mais dúvida: trabalhar com educação significa trabalhar pelo desenvolvimento integral – o que, sem dúvida, passa pelo cuidado com a saúde mental.
A questão, contudo, fica bem mais complexa quando se lida com jovens e crianças vindos de contextos sociais e familiares, para dizer o menos, desafiadores – com mães e avós sobrecarregadas, incerteza sobre a próxima refeição, condição habitacional que desafia os limites da claustrofobia, desamparo emocional e violência que, literalmente, mora ao lado. Isso sem se falar do tráfico de drogas ilícitas e do álcool.
É esse o cenário em que propostas como a do Coletivo objetivam encarar – com apoio emocional e, sobretudo, muito carinho. É o motivo de nosso esforço, mas também o motivo de nosso bom ânimo.
Porque entre o brando e o desafiador, a diferença é o contexto.
Thaís Cassapian