Pacientes

Não se imagina que um hospital, ao lidar com um doente, enxovalhe-lhe a autoestima com broncas e repreensões – e, após colocar o dito cujo para fora, condecore com medalhas apenas seus visitantes saudáveis.

Nada disso: o hospital sério é para doentes – e doentes, conforme a gravidade da patologia, são encaminhados para a terapia intensiva ou para o centro cirúrgico, confore seja a necessidade específica de cada um.

Escolas deveriam ser assim – e escolas que não ofertam o tratamento cabível aos seus pacientes mais graves, gostemos ou não, se assemelha mais ao hospital que só trata de quem esbanja saúde.

A comparação não é nossa, ela é do renomado escritor Pedro Bandeira¹. Ele cita, como termômetro da febre pedagógica, a dificuldade com o letramento – sequela de alguma afecção que, a persistir, expulsará o paciente do sistema educacional e, por consequência, da própria dignidade da vida.

Eis aí um dos campos de atuação de nosso Coletivo, quando tratamos do serviço de contraturno escolar – sermos o hospital que nos cabe ser, acreditando no que fazemos e no tempo que investimos.

Porque, ainda que sejam muitas as dores, não há hospital que não acredite na melhora de seus pacientes.

Thaís Cassapian

¹Folha de S. Paulo, edição de 22.03.26, artigo intitulado “A escola é a melhor formadora de recrutas para o crime”.

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