Educação

Não estando à parte das tensões vividas na sociedade, é esperável que a escola precise lidar com as sequelas dessas dificuldades junto às crianças – ainda que isso signifique encarar o sofrimento mental, dificuldades familiares e violência comunitária¹.

Isso, por óbvio, sem se deixar de considerar os desafios quanto à necessidade do avanço pedagógico – porque, como se sabe, se por um lado o País avançou em trazer à escola pública significativa percentagem da população, por outro, é fato que o grau de aprendizado ainda deixa a desejar².

O desafio pode parecer grande, mas é justamente esse o objetivo de nosso contraturno escolar: atuar, no limite do possível, nos diversos campos de necessidades de nossas crianças.

Hoje, contamos com duas turmas – uma com crianças em idade de ensino fundamental e outra com crianças de idade entre 4 e 6 anos. São quase trinta vidas que serão transformadas a partir do que mais nos propomos a dar: carinho e respeito.

Atuamos com empenho no processo customizado de aprendizagem de cada criança – e, na área do ensino fundamental, nosso foco está exatamente em acolher crianças em defasagem escolar.

Disponibilizamos, ainda, apoio psicológico constante, recreação conduzida por profissional especializado e duas refeições diárias – sendo uma delas almoço ou jantar, conforme o período.

Mais: ofertamos transporte gratuito para que a locomação não seja um impeditivo a quem precisa de nosso apoio.

Fazemos o nosso melhor – e temos a certeza de que, no Coletivo, a integração entre saúde emocional, ensino e asssistência social já é uma realidade (e podemos dizer, com o respeito e a seriedade que a questão exige, que pouco ou nada ficamos a dever a qualquer programa de contraturno escolar, ainda que destinados a quem possui os mais amplos recursos financeiros).

Nada cobramos dessas familías – cobramos, mesmo, é de nossas consciências. Não há paz maior do que ver uma criança em paz.

Thais Cassapian

¹Folha de S. Paulo, edição de 11.02.26, artigo de Miriam Abramovay intitulado “Combate à radicalização juvenil impõe fortalecer a convivência escolar”.

²Folha de S. Paulo, edição de 23.02.26, editorial intitulado “Muitos alunos que aprendem pouco”.